Assistente de IA Rovo, da Atlassian, pode ser induzido a vazar dados do Jira e Confluence
Duas equipes de pesquisa independentes, PromptArmor e Varonis Threat Labs, mostraram formas distintas de manipular o assistente Rovo para coletar dados do Jira e Confluence acessiveis ao usuario logado e envia-los a um servidor externo. Apenas a rota descoberta pela Varonis, batizada de RovoBlast, foi confirmada como corrigida pela Atlassian; a tecnica da PromptArmor segue com status nao confirmado apos a divulgacao.
O Rovo e o assistente de IA da Atlassian integrado ao Jira e ao Confluence, com permissao para ler e organizar tickets, paginas e conectores como SharePoint e Outlook em nome do usuario autenticado. Os dois grupos de pesquisa encontraram maneiras diferentes de fazer esse assistente agir contra os interesses do proprio usuario, ambas apoiadas no mesmo principio: o Rovo nao distingue de forma confiavel entre instrucoes legitimas do usuario e instrucoes escondidas dentro do conteudo que ele processa.
A PromptArmor demonstrou injecao de prompt indireta classica: um documento carregado pelo usuario contem instrucoes maliciosas ocultas, e quando a pessoa pede ao Rovo para organizar tickets relacionados, o assistente executa a tarefa pedida mas tambem anexa o que encontrou a uma URL controlada pelo atacante e a abre, vazando os dados no processo. Ja a Varonis explorou uma rota mais direta: o parametro de URL rovoChatPrompt permitia carregar instrucoes completas diretamente na URL do Rovo, de forma que um unico clique de um usuario autenticado bastava para o assistente executa-las com os privilegios dessa pessoa, tecnica que a Varonis chamou de RovoBlast.
O impacto pratico e relevante porque o Rovo tem acesso amplo por desenho: tickets do Jira, paginas do Confluence, chaves de API privadas e dados de conectores como SharePoint e Outlook, tudo dentro do escopo de permissoes do usuario que interage com ele. Isso significa que qualquer falha de isolamento entre instrucao e dado se traduz diretamente em exfiltracao de informacao corporativa sensivel, sem que a vitima perceba nada de anormal na interface.
A Atlassian corrigiu a vulnerabilidade RovoBlast do lado do servidor em 8 de julho de 2026, correcao que a Varonis validou de forma independente. Ja a falha demonstrada pela PromptArmor, divulgada em 5 de agosto de 2026, nao teve confirmacao publica de correcao ate a data desta noticia. Nenhum CVE foi atribuido a nenhuma das duas questoes, e a recomendacao pratica para organizacoes que usam o Rovo e revisar e restringir as permissoes de acesso do assistente por aplicativo e por grupo, ja que a superficie de risco cresce na mesma proporcao em que esses assistentes ganham acesso a mais sistemas internos.