Kimsuky monta stack de IA offline em servidores próprios para escalar phishing e desenvolvimento de malware
O grupo de espionagem norte-coreano Kimsuky passou a operar modelos de linguagem localmente em seus próprios servidores — usando Ollama, GPT4All e Msty, além de bibliotecas como LLaMaSharp e Microsoft Semantic Kernel — em vez de depender de chatbots públicos. A empresa sul-coreana Genians, que descobriu a operação, relata uso de RAG sobre documentos e credenciais já roubados, e integração com a campanha em curso "Operation GitPower", que abusa repositórios GitHub como canal de comando.
Diferente do padrão mais comum de atores de ameaça usando chatbots públicos (com prompts cuidadosamente formulados para escapar de filtros de segurança), o Kimsuky — subordinado ao Reconnaissance General Bureau da Coreia do Norte — está montando sua própria pilha de IA rodando localmente, fora de qualquer serviço de terceiros que poderia registrar ou bloquear o uso. A Genians descreve isso como uma fase de "pesquisa e aquisição de conhecimento", em que o grupo testa e integra ferramentas de terceiros já existentes em vez de treinar modelos próprios do zero.
A lista de ferramentas identificadas é reveladora do nível de maturidade técnica: Ollama e GPT4All para rodar LLMs localmente (o GPT4All já configurado com uma base RAG local, o LocalDocs), Msty como interface adicional, e bibliotecas de integração como LLaMaSharp, Microsoft Semantic Kernel e Microsoft.Agents.AI para embutir esses modelos em ferramentas e malware próprios. O grupo também usa Whisper (transcrição de áudio) e o editor Cursor, mostrando interesse tanto em automação de conteúdo quanto em desenvolvimento de código assistido por IA.
O uso ofensivo documentado inclui geração de mensagens de phishing sem os sinais de alerta tradicionais (tradução truncada, formatação estranha, erros ortográficos) que normalmente ajudam vítimas a desconfiar. Mais preocupante, foram encontrados registros de consultas ao sistema RAG contendo dados de carteiras, credenciais do Gmail e histórico de registro de sites — evidência de que o grupo está usando a IA local para processar e explorar dados já exfiltrados de vítimas anteriores, fechando o ciclo entre roubo de dados e uso desses dados para o próximo ataque.
A atividade se conecta à "Operation GitPower", uma campanha em andamento que abusa repositórios GitHub como canal de comando e controle, distribuindo payloads AsyncRAT disfarçados de arquivos de imagem através de cadeias LNK para PowerShell. Para times de defesa, o caso mostra que a adoção de IA ofensiva por grupos state-sponsored já passou da fase de uso oportunista de chatbots públicos para infraestrutura própria, dedicada e mais difícil de rastrear por telemetria de provedores de IA — o que desloca parte da detecção de volta para EDR e monitoramento de rede tradicional.