A Cisco Talos documentou o UAT-10147, grupo de língua chinesa que integra ferramentas de IA (DeepAudit, PentestGPT) para automatizar varredura e exploração de cerca de 170 mil URLs em escopo, implantando o backdoor multiplataforma SPECTRE com bypass de EDR via BYOVD e um rootkit em módulo de kernel no Linux.
NSA, CISA, FBI, DOE e EPA emitiram um alerta conjunto sobre uma campanha ativa que usa scripts de exploração gerados com auxílio de IA para atacar controladores lógicos programáveis (CLPs) da família Siemens S7, expostos na internet em setores como energia, água e manufatura crítica. Os atacantes combinam ferramentas de varredura pública (Censys, ZoomEye) com scripts em Python baseados em bibliotecas legítimas de automação industrial, camuflados como utilitários de monitoramento.
Pesquisadores da A Security usaram modelos de IA disponíveis publicamente para encontrar, em menos de 20 prompts, uma cadeia de vulnerabilidades no protocolo de anotação em tempo real do Zoom que permitia assumir o controle de qualquer dispositivo participante de uma chamada com compartilhamento de tela ativado, sem qualquer interação da vítima. A Zoom já corrigiu as falhas com patches de servidor e cliente para todas as plataformas suportadas, mas o caso ilustra como ferramentas de IA já reduzem drasticamente o tempo e a expertise necessários para encontrar bugs críticos em software fechado.
A Rapid7 divulgou uma cadeia de duas vulnerabilidades no SharePoint Server — um bypass na validação de JWT (CVE-2026-55040, CVSS 9.1) que permite personificar qualquer usuário conhecendo apenas seu SID ou UPN, encadeado com uma instanciação insegura de tipos .NET nos Business Connectivity Services (CVE-2026-63520, CVSS 8.1) — que juntas permitem execução remota de código sem qualquer conta válida. Parte relevante do trabalho de descoberta foi feita com apoio de um agente de IA fortemente orientado por prompts, ilustrando como esses agentes já contribuem em pesquisas ofensivas complexas de múltiplas etapas, ainda que operando de forma semiautomática.
A OpenAI lançou o GPT-5.6-Cyber, uma variante do GPT-5.6 Sol otimizada para descoberta de vulnerabilidades zero-day, desenvolvimento de cadeias de exploits e testes de penetração, com recusas reduzidas para tarefas dual-use de alto risco como bypass de autenticação e escalonamento de privilégios. O acesso é restrito ao programa Daybreak Red, limitado a parceiros de segurança estabelecidos, numa tentativa de equilibrar o ganho ofensivo de capacidade com controle de quem pode usá-la.
O pesquisador James Kettle, da PortSwigger, construiu o HTTP Terminator, um sistema que usa Claude para gerar e validar em escala vetores de dessincronização HTTP a partir de RFCs de HTTP e SMTP. A ferramenta testou 30 mil vetores candidatos contra 30 mil sites autorizados por programas de bug bounty, confirmou mais de 200 alvos vulneráveis — incluindo um banco americano não identificado — e uma investigação paralela guiada por humanos expôs um zero-day no Apache Traffic Server.
Uma análise da The Hacker News argumenta que modelos de linguagem estão corroendo a premissa clássica de que a capacidade ofensiva escala com a experiência técnica do atacante. Ao traduzir intenção maliciosa em ações concretas via linguagem natural, a IA reduz drasticamente o tempo e o conhecimento necessários para pesquisar, entender e explorar uma vulnerabilidade. O texto defende que isso obriga times de segurança a trocar avaliação de risco por sofisticação do adversário por validação contínua dos controles.
Meses depois do lançamento do Mythos pela Anthropic, um sistema de IA para descoberta automatizada de vulnerabilidades em escala, o debate sobre volume de CVEs cede lugar a uma pergunta mais incômoda: o gap entre a velocidade com que falhas são encontradas e a velocidade com que são corrigidas. O artigo argumenta que o breakout time de invasores caiu para 29 minutos em 2025, enquanto padrões como o PCI DSS ainda toleram até 30 dias para remediar falhas críticas.
Um ator solo identificado como "bandcampro" usou a ferramenta open-source Gemini CLI, do Google, como agente principal de hacking, consultor técnico e interface de operação de um pequeno botnet. Análise de 200 sessões de log pela Trend Micro mostra a IA respondendo por cerca de 89% do texto produzido durante as operações, contra 11% do operador humano. O incidente comprometeu oito computadores de uma clínica odontológica nos EUA, com acesso ao banco de dados OpenDental.